Natal: a manifestação da Glória de Deus
A Oração da Coleta da missa da vigília do Natal reza que Deus fez "resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz". Diz ainda que, pela encarnação do seu Filho, Deus expulsou as trevas do mundo, transfigurou esta noite santa, uniu a terra ao céu, nos tornou participantes da Igreja celeste. O salmo responsorial (Sl 95/96) traz o vibrante convite: cantai ao Senhor Deus um canto novo; cantai ao Senhor Deus ó Terra inteira; cantai e bendizei seu santo nome ... anunciai dia após dia sua salvação ... manifestai a sua glória entre as nações ... Ele vem ... governar o mundo inteiro com justiça ..."
Paulo apóstolo afirma que "a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os seres humanos". Por esta graça, a humanidade pode permanecer "aguardando a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador Jesus Cristo" (Tt 2,11-14).
O Profeta Isaías anuncia que "o povo que andava na escuridão viu uma grande luz" e que o jugo que oprimia o povo; a canga sobre os ombros, tudo foi despedaçado, pois "nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho, o nome que lhe foi dado é: conselheiro admirável, Deus forte, pai dos tempos futuros, príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim ..." (Is 9,1-6).
Na plenitude dos tempos, segundo Lucas, a salvação irrompe na História humana, no tempo do imperador romano César Augusto, quando Quirino era governador da Síria. O Messias será um descendente de Davi. José era da família e da descendência de Davi. Por causa do recenseamento, ele e Maria sua esposa (que estava), vão da Galiléia a Belém da Judéia, a cidade de Davi. E o menino nasce entre os pobres, na manjedoura, representando o lugar social próprio das pessoas marginalizadas.
Aos pastores que passavam a noite tomando conta do rebanho, um anjo aparece e a "a glória do Senhor os envolveu de luz". "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor; um recém-nascido, numa manjedoura". Deus se manifesta: "glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra às pessoas por ele amadas (Lc 2,1-14). Isto é, pessoas de boa vontade, dispostas a fazer o bem.
A liturgia natalina da Igreja proporciona grande riqueza espiritual. A missa da vigília tem como personagem inspirador o próprio menino Jesus que, do presépio, abre os braços para acolher a humanidade com a bondade, a ternura e a humildade de Deus que, "assumindo a nossa humanidade, restabeleceu a nossa dignidade".
A missa da aurora focaliza os pastores, os quais, envolvidos de luz e alegria pela mensagem do anjo, voltam, cheios de entusiasmo, anunciando o que tinham visto, ouvido e adorado: "como são belos os pés de quem anuncia e prega a paz" (Is 52,7). A missa vespertina permite aprofundada reflexão a partir do mistério da Trindade Santa. Deus se revela revelando quem é seu Filho, a Palavra eterna, o Verbo encarnado, que estava com Deus e era Deus, "a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano", a Palavra que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.9.14). E conforme a Carta aos Hebreus, ele é "esplendor da glória do Pai e expressão do seu ser" (Hb 1,3).
O canto vibrante é a expressão da alegria, louvor e gratidão pelo amor infinito de Deus revelado no recém-nascido. É a sublime elevação da alma a Deus, no melhor reconhecimento da manifestação de sua glória e da salvação oferecida como dom gratuito à humanidade. É o reconhecimento e o desejo de, da mesma forma, viver o amor e a gratuidade – a fraternidade universal.
Assim, é Natal quando as pessoas se perdoam, quando pais e filhos se compreendem, quando uma pessoa é ajudada. É Natal quando alguém decide a viver honestamente, quando alguém dá um novo sentido à vida e se olha com os olhos do coração e com um sorriso nos lábios. É Natal, pois nasceu o amor, a paz, a justiça, a esperança, a alegria. É Natal, pois nasceu Cristo, Nosso Senhor. Desejo um feliz e abençoado ano de 2012 a todos.






